Rastros apagados na areia

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 01 de Maio de 2026 ás 14h 06min

Rastros apagados na areia

 

Onde a onda chega e se vai

levando segredos suaves

em um sussurro salgado

o rastro se desfaz.

 

Um instante marcado

por passos leves, por um corpo que passou

uma presença que dançou

na vastidão dourada.

 

O pé que afundou

deixando uma breve carícia

uma história sem alarde

que o mar prontamente apagou.

 

Não há mais a silhueta

o contorno de um momento fugaz

apenas a areia que se refaz

em sua eterna serenidade.

 

Talvez fossem crianças

correndo com risos que o vento dispersou

ou amantes que ali se encontraram

e agora só restam memórias soltas.

 

Um caminhante solitário

buscando um horizonte sem fim

ou um animal que buscou abrigo

antes que o dia findasse.

 

Quem sabe que histórias se perderam

nas marés que vêm e vão

qual a emoção contida

em cada pegada que desvaneceu.

 

A brisa sopra, e a memória

se torna efêmera como espuma

a linha que o pé desenhou

desaparece na bruma.

 

A areia é um caderno vivo

mas a tinta são os momentos

que a água vem e apaga

sem ressentimentos.

 

E assim, o que foi firme

se torna leve e sutil

um convite à imaginação

um toque quase febril.

 

A vastidão me abraça

e o pensamento vagueia

buscando ecos distantes

onde a vida se incendeia.

 

Os rastros apagados na areia

são a prova que tudo passa

que a beleza reside

na fugacidade que abraça.

 

Um convite a viver

o agora sem apego

pois o que fica é o sentir

e o suave desapego.

 

A cada onda que beija

a terra molhada e quente

um ciclo se completa

em sua dança resiliente.

 

E sob o sol que se inclina

pintando o céu de tons sutis

os rastros esquecidos

contam histórias sem fim.

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