Réstia de luz
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 26 de Maio de 2026 ás 11h 15min
Réstia de Luz
Há uma réstia de luz,
tão tênue e solitária,
perdida na imensidão escura da noite…
É um frágil fragmento de estrelas antigas,
pó de luz que cai devagar, muito devagar,
mergulhando sem fim
nos abismos sem fundo da minha alma…
Eu a vejo tremular, insegura,
no silêncio absoluto e gelado do universo,
como se o próprio céu chorasse,
derramando pequenas cinzas luminosas
sobre os meus sonhos,
esses que morreram tão cedo,
antes mesmo de poderem florescer.
Ah… como dói, como dilacera o peito,
carregar constelações inteiras já apagadas dentro de mim,
e ter que caminhar, só e desamparado,
por entre galáxias frias e desertas,
sem jamais encontrar, em nenhum lugar,
o calor suave e eterno dos teus olhos.
Os ventos gélidos do infinito
sopraram para longe a tua voz,
levando-a para além das nebulosas mais distantes,
e agora, de tudo o que fomos e sentimos,
restam apenas restos, pedaços,
pequenos fragmentos de luz,
espalhados à deriva nas margens esquecidas do tempo.
A minha alma vaga, errante e só,
por entre planetas de pura melancolia,
percorrendo o espaço vazio e mudo,
buscando, em vão, qualquer rastro,
qualquer vestígio mínimo da tua existência,
no meio de estrelas que parecem dormir para sempre.
Mas tudo é tão distante…
Tão longe, tão inatingível,
quanto o último brilho fraco e triste
de uma estrela que há muito tempo morreu,
mas cuja luz, ainda assim,
continua viajando pela escuridão,
iluminando, solitária e inutilmente,
a eterna solidão do céu.