RIO NO ROSTO
Entre as pedras sou água que corre,
Me escorrego sentindo liberdade,
Mas na face sou lágrima que morre
Na penumbra da triste realidade.
Até que entendo sem regras:
Não morro quando caio solto.
Se sou água entre as pedras,
Serei o rio também no rosto.
A lágrima que escorre volta,
Não se esvai, não se perde,
Ela simplesmente se solta,
Passa pelo queixo e desce,
Acha o chão, quer molhar,
Vira rega, vira chuva,
Silenciosamente vira mar.
E o que era penumbra
Vira brisa molhada
Para que nada sucumba.