Saudades do céu

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 25 de Outubro de 2026 ás 09h 59min

 Saudade do Céu
 Rosy Neves
 
 
 
Eu estou aprendendo a morrer em silêncio,
para as coisas pequenas do mundo,
para o ruído das horas,
para o nome que a vida me deu
e que já não responde por mim.
 
Toda vez que eu olho as estrelas,
me dá uma saudade do céu,
de um lar tão distante,
tão perto da alma,
que quase posso ouvi-lo
respirar dentro do meu peito.
 
Eu sinto uma luz antiga
adormecida atrás dos olhos,
um caminho feito de ausência,
uma porta entreaberta
para o lugar onde a tristeza
não precisa explicar seu nome.
 
Há noites em que o vento
passa por mim devagar,
como quem conhece a minha história
e não quer interrompê-la.
Então, canto baixinho
para não acordar a dor.
 
Se a vida é fado,
que seja cantada sem pressa,
com a garganta cheia de sombra
e o coração ainda aceso.
Porque há saudades que não matam,
apenas nos ensinam
a voltar para dentro.
 
E quando a última estrela
se inclinar sobre o meu rosto,
talvez eu entenda, enfim,
que o céu nunca esteve distante.
Era o meu próprio silêncio
chamando por casa.

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