Se pudesses ouvir a minha alma a chamar te

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 02 de Maio de 2026 ás 12h 31min

Se pudesses ouvir a minha alma a chamar-te

 

Um sussurro levado pelo vento

através de campos de sonhos esquecidos

e montanhas de palavras não ditas,

a minha alma seria uma canção,

uma melodia tecida com saudade

e o suave eco do teu nome.

 

Se pudesses ouvir a minha alma a chamar-te,

seria o farfalhar das folhas

numa floresta antiga,

onde segredos dormem e memórias florescem,

uma dor terna que enche os espaços silenciosos,

um anseio que pinta o céu de tons de azul.

 

Se pudesses ouvir a minha alma a chamar-te,

seria o suave suspiro do oceano

ao beijar a costa,

um constante fluxo e refluxo,

uma maré que me puxa para ti

através da imensidão do que é e do que poderia ser.

 

Se pudesses ouvir a minha alma a chamar-te,

seria o calor do sol

num dia de inverno,

uma esperança radiante que derrete a geada

da distância e da dúvida,

um farol na névoa.

 

Se pudesses ouvir a minha alma a chamar-te,

seria o silêncio entre as batidas do coração,

um entendimento profundo

que não precisa de palavras,

um reconhecimento no íntimo,

uma certeza que transcende todo o som.

 

Se pudesses ouvir a minha alma a chamar-te,

seria o cheiro da chuva na terra seca,

uma renovação, um renascimento,

a promessa da vida que regressa,

um pedido desesperado por ligação,

uma sede que só tu podes saciar.

 

Se pudesses ouvir a minha alma a chamar-te,

seria a quietude de uma noite estrelada,

um universo de perguntas

e a calma esperança por respostas,

uma prece silenciosa enviada aos céus,

levada nas asas do desejo.

 

Se pudesses ouvir a minha alma a chamar-te,

seria a luz que rompe as nuvens

depois da tempestade,

uma aurora radiante após a escuridão,

um novo começo, uma chance de reparar,

uma frágil confiança estendida.

 

Se pudesses ouvir a minha alma a chamar-te,

seria o murmúrio de um riacho escondido,

uma viagem suave por clareiras sombrias,

um caminho que serpenteia em direção à luz,

onde a tua presença espera,

um destino por tanto desejado.

 

Se pudesses ouvir a minha alma a chamar-te,

seria o sussurro do passado,

as histórias que ainda temos para escrever,

o futuro que espera para se desdobrar,

uma tapeçaria de momentos

entrelaçados com a tua essência.

 

Se pudesses ouvir a minha alma a chamar-te,

seria o bater das asas de um beija-flor,

uma energia breve e vibrante,

um pulso de pura emoção,

uma força de vida que se estende,

buscando a sua contraparte.

 

Se pudesses ouvir a minha alma a chamar-te,

seria o eco do riso

em quartos vazios,

uma lembrança viva da alegria partilhada,

uma sombra do que foi

e a promessa do que poderá ser novamente.

 

Se pudesses ouvir a minha alma a chamar-te,

seria a quieta aceitação do destino,

uma entrega ao puxão inevitável,

uma aproximação de almas gémeas,

uma união de duas jornadas

num único caminho harmonioso.

 

Se pudesses ouvir a minha alma a chamar-te,

seria o desabrochar de um novo dia,

um despertar suave,

uma possibilidade de encontro,

uma abertura esperançosa

para o espaço que existe entre nós.

 

Se pudesses ouvir a minha alma a chamar-te,

seria a verdade simples

que reside no coração,

uma linguagem compreendida sem palavras,

uma ressonância que vibra

de mim para ti.

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