Não direi adeus.
Há palavras que pesam uma vida.
Direi apenas: não posso mais
prolongar sozinha esta espera indefinida.
Foram décadas de sonhos,
de ternura guardada e ilusão;
agora recolho, devagar,
o que entreguei sem proteção.
Por isso, não mais o procuro,
nem lhe envio os versos que escrevi.
Há tanto amor no que silencio,
mas também preciso cuidar de mim.
Conheço os limites que nos cercam,
não lhe peço alianças nem promessas;
queria apenas me saber lembrada
quando a vida retomasse suas pressas.
Um “bom dia” vindo sem motivo,
um “como foi seu dia?” ao anoitecer,
a delicadeza de uma pergunta:
“Meu amor, está tudo bem com você?”
Não lhe pedia o impossível,
apenas algum cuidado depois.
Um jeito de permanecer por perto,
de reconhecer o que houve entre nós.
Não direi adeus, meu amado,
mas deixarei de lhe bater à porta.
O amor ainda habita este peito;
a espera é que já não se suporta.