Será que o mar chora
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 07 de Março de 2026 ás 13h 10min
Nunca houve angústia igual,
uma sombra densa
que cobriu o cais
e o coração.
O tempo parou,
ou talvez tenha escorrido
tão lento,
como mel frio
na manhã cinzenta.
Velejantes, figuras imóveis,
na ponta dos pés do mundo,
despediam-se.
Gestos mudos,
o último aceno
que o vento levou.
E as lágrimas.
Ah, as lágrimas que caíram,
pesadas gotas salgadas,
misturando-se à brisa úmida.
Não se distingue mais
onde finda a dor
e onde começa o oceano.
São as mesmas águas agora,
sal e pesar fundidos,
um espelho turvo
refletindo o vazio deixado.
As faces se foram,
os barcos sumiram no horizonte
que engoliu a luz.
Resta o som das ondas,
um lamento constante,
e a dúvida persistente:
será que o mar chora
ou apenas guarda
o eco dos adeus
não ditos em voz alta?
Que tristeza quieta,
que se aninha na areia fria,
contando as marés
que não trazem nada de volta.
O silêncio é vasto,
e nesse silêncio,
a dor se renova,
toda vez que a espuma beija a terra,
lembrando que aquela partida
foi a mais funda,
a que nunca se acaba de partir.