SERTÃO, CANÇÃO E MEMÓRIA
Poemas | Poesia Popular | Edson BentoPublicado em 05 de Julho de 2026 ás 15h 43min
Sertão, canção e memória
Êêê, boi! Meu aboio preferido,
Chama e acalma sem castigo.
Eu venho do sertão sofrido,
Trazendo o gado pro abrigo.
O meu legado, enriquecido,
Nunca será esquecido.
No terreiro, no fim da tarde,
O sertão vira canção.
Cada gesto é uma verdade,
Guardada no coração,
Pois raiz que é sertaneja
Floresce em qualquer chão.
O aboio corta a distância,
Chamando o gado a voltar,
E a voz, cheia de constância,
Faz o tempo se ajoelhar.
Pois quem nasce nesse clima
Aprende cedo a lutar.
A sanfona abre o peito
Com seu choro arrastado,
Mostrando o ritmo perfeito
Do vaqueiro apaixonado,
Que dança com a própria vida
No compasso do passado.
A fogueira acende histórias
Que o povo sabe guardar,
Misturando suas memórias
Com o cheiro do cozinhar,
E o sertão vira poema
Quando a lua vem brilhar.
Assim sigo celebrando
O que o tempo não desfaz,
Minhas raízes brotando,
Onde o vento sopra a paz.
Pois ser filho do sertão
É ser forte e ser capaz.
Edbento