Silêncio menina
Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 13 de Fevereiro de 2026 ás 20h 52min
Silêncio menina
a noite te envolve
como um manto de veludo escuro
e o céu é um abismo
de tinta derramada
Não movas um músculo
os dedos pequenos
querem alcançar
aquela poeira de luz distante
as estrelas que tremem
como promessas antigas
Mas hoje
o ar está diferente
mais denso
carregado de algo que ainda não tem nome
Silêncio
a respiração suspensa
é a oração mais pura
que se pode oferecer ao infinito
Não toque
deixa que a distância
seja sagrada
a beleza do inatingível
é a que mais arde na memória
Sorria baixinho
um murmúrio de contentamento
que não perturbe a quietude
dos mundos girando lá em cima
Teu sorriso
é um pequeno farol
na vastidão que nos cerca
algo suave
que a escuridão não consegue engolir
Pois eles estão chegando
não ouves o som das asas
movendo o éter
um sussurro de plumas brancas
descendo devagar
Os anjos
não vêm com trombetas estrondosas
mas com a leveza da primeira neve
com o cheiro de chuva em terra seca
Eles virão te ver
neste instante de quietude absoluta
onde o mundo parece parar
para te observar dormir
Não os espantes com ruído
com o desejo brusco de agarrar o que brilha
Apenas deixa que a paz te inunde
o coração batendo no ritmo suave
da espera mansa
Observa a escuridão
ela não é vazia
está cheia de preparação
de asas dobradas
de olhos que refletem a luz divina
Silêncio
menina
o espetáculo maior
não está lá fora
mas no espaço que se abre dentro de ti
quando aprendes a escutar
o que chega sem barulho
E quando eles pousarem
em volta da tua cama de sonhos
poderás abrir os olhos
e ver a verdadeira luz
mais próxima que qualquer estrela fria.