Silêncio nos Bósforos das estrelas
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 07 de Junho de 2026 ás 13h 31min
Silêncio nos Bósforos das Estrelas
de Rosy Neves
Silêncio... silêncio...
Não ergam as vozes da terra, não despertem os pássaros adormecidos nos jardins da noite.
Pois ele ouve.
Ele ouve o sussurro dos meus pensamentos como quem escuta uma fonte escondida sob as pedras antigas do mundo.
Lá vai ele, anjo sem reino e sem descanso, navegando pelos rios subterrâneos da Turquia, onde a água corre em segredo por entre raízes, cavernas e sonhos esquecidos.
Seu barco não é feito de madeira, mas de luar e silêncio.
E seus remos desenham círculos sobre Bósforos invisíveis, estreitos de luz suspensos entre uma estrela e outra.
Silêncio...
A noite veste seu véu azul-escuro, e as constelações inclinam suas cabeças para vê-lo passar.
Eu permaneço aqui, na margem desconhecida da saudade, enquanto ele atravessa os céus ocultos, seguindo correntes que nenhum mapa conhece.
Talvez ele carregue minhas lágrimas em uma pequena ânfora de prata.
Talvez carregue minhas orações.
E quando o vento passa pelas cúpulas douradas dos sonhos, escuto suas asas roçando a eternidade.
Silêncio...
Silêncio...
Porque o anjo navega.
E os rios secretos da alma deságuam todos no mesmo mar de estrelas.