Silêncio! Ouça!

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 22 de Maio de 2026 ás 07h 05min

Silêncio! Ouça!

 

Silêncio! Ouça!

A canção proibida foi cantada!

Em alto mar!

Mas quem ouviu cantá-la!

 

Nos ecos da brisa, as vozes se entrelaçam,

sussurros de antigos marujos,

despertando das conchas que guardam segredos na dança da maré.

A espuma do mar, de brancura estridente,

cantando ao mundo suas verdades esquecidas,

ecoando em corais e mistérios,

onde estrelas, enterradas nas areias,

observam o baile da vida que se desenrola sob a luz tremeluzente.

 

As ondas, mensageiras de um tempo,

veem o horizonte se abrir,

um convite a ouvir a melodia do além,

das galáxias que sussurram nas profundezas.

Qualquer náufrago que se atreva,

a se deixar levar pelo ritmo aquático,

encontrará a sinfonia da existência,

um cântico de almas,

que nos une nas águas salgadas do universo inteiro.

 

As estrelas são faróis de esperança,

iluminando a trajetória,

tecendo entre os destroços a tapeçaria da memória perdida.

E nós, viajantes, sem destino,

navegamos as correntes invisíveis,

guiados pela melodia que brota do fundo,

cantaços de gerações,

vibrando em cada fibra da existência,

um eco ressoante que desafia o silêncio.

 

Canta, marujo cósmico!

Deixa que a música do tormento te toque suavemente,

o bailado do caos e da ordem,

dos astros alinhados em serenata.

 

Silêncio! Ouça!

A canção proibida, a canção do mar,

que ecoa nas vastidões,

perdida e encontrada,

na respiração da Terra,

na dança dos planetas.

 

A maré sobe como um coração pulsante,

e a canção se intensifica,

cada nota, cada pausa,

como um ritmo que reverbera dentro de nós,

um lembrete de que somos mais do que carne, mais do que osso,

somos a canção do universo cantada em alto mar.

 

Venha!

Ouça!

Canta!

Deixa que a vibração das ondas te faça recordar que estamos todos conectados por essa melodia da criação,

onde a vida e a morte se entrelaçam na eterna dança.

E nas profundezas de cada encontro,

despertem os marujos cósmicos,

com os olhos brilhando como faróis,

prontos para ouvir,

prontos para viver,

a canção que nunca se cala,

a canção proibida,

cantada em alto mar.

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