Canto da Ausência
O amor também canta na ausência,
como vento que atravessa portas fechadas.
É memória que insiste,
é sombra que acaricia,
é silêncio que se torna companhia.
Não é vazio,
é espaço onde o coração repousa.
É dor que se transforma em ternura,
é saudade que floresce em esperança.
Na ausência, o amor não morre:
ele se recolhe,
ele se guarda,
ele se prepara para renascer.
Silêncio que Ama
Há amores que não precisam de palavras,
vivem no intervalo entre dois olhares.
São silêncio que acolhe,
são pausa que revela,
são ternura que não se nomeia.
Mas o silêncio não é vazio:
é música que repousa,
é respiração que se encontra,
é promessa guardada no coração.
Amar é escutar o que não se diz,
é sentir o que não se mostra,
é confiar naquilo que permanece
mesmo quando o tempo se desfaz.
O silêncio que ama é ponte invisível,
é raiz que se entranha na pele,
é claridade que nasce da sombra,
é eternidade escondida no instante.
E quando tudo parece calar,
o amor ainda fala,
na memória que insiste,
na ausência que acaricia,
na presença que salva.
Silêncio que ama:
é entrega sem muralhas,
é fragilidade que ilumina,
é ser humano por inteiro,
na voz mais pura do coração.
Silvia Santos