Sinos aflitos

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 20 de Setembro de 2026 ás 21h 41min

Sinos Aflitos

 Rosy Neves 

Sinos aflitos dobram na distância,

como se o céu soubesse da partida.

E o outono, vestido de cinzas,

deita suas folhas sobre as rosas,

como quem cobre uma antiga ferida.

 

Os cisnes já não cantam no lago,

suas asas repousam sobre a névoa.

Há um silêncio profundo nas águas,

um silêncio que ninguém decifra,

um adeus que o tempo não perdoa.

 

As rosas perderam o perfume,

e a tarde apagou seu último clarão.

Entre folhas mortas e sombras,

procuro ainda os teus passos,

mas encontro somente a solidão.

 

Talvez algumas despedidas

não precisem de palavras.

Basta o último olhar,

o último sino tocando ao longe,

e a porta fechando devagar.

 

Adeus...

nunca mais.

 

E quando o inverno vier,

talvez ninguém se lembre das rosas,

nem dos cisnes que um dia cantaram.

Mas eu guardarei, entre os cacos da alma,

o último som dos sinos aflitos

que naquela tarde

por nós choraram.

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