Sinos da alma

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 07 de Maio de 2026 ás 14h 42min

Toca os sinos, Miguel, São Arcanjo,

porque a noite caiu pesada

sobre os telhados da minha alma.

 

Há névoas antigas

cobrindo as estradas do mundo,

e eu caminho sozinho

como quem carrega estrelas apagadas

dentro do peito.

 

Toca os sinos…

para que meus ouvidos cansados

reconheçam teu chamado

atravessando os ventos frios da madrugada.

Que o bronze sagrado da tua voz

rompa os abismos do silêncio

onde escondi minhas lágrimas.

 

Meus pés já conhecem

o caminho de volta pra casa.

Mesmo feridos de distância,

mesmo cobertos pela poeira

das despedidas e dos invernos,

eles ainda se lembram

das portas de luz

que existiam antes da tristeza nascer.

 

Toca os sinos, Miguel…

porque há um coração ajoelhado

na beira da eternidade

esperando o céu abrir suas janelas.

Há um viajante cansado

olhando as últimas estrelas

como quem pede perdão ao universo

por ter demorado tanto a voltar.

 

E quando teus sinos ecoarem

sobre os rios escuros da Terra,

eu seguirei o som lentamente,

como uma folha levada pelo outono,

como um filho perdido

que finalmente reconhece

a voz de casa

chamando seu nome no infinito.

Comentários

Religiosamente Poético

ADAILTON LIMA | 08/05/2026 ás 11:24
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