Soluços dos astros
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 13 de Março de 2026 ás 11h 01min
Quando a lágrima desceu,
no breu que a noite tecia,
um rio quente na pele fria da madrugada.
Ninguém ouviu o soluço abafado,
o som engolido pela escuridão densa,
apenas o eco surdo do meu próprio peito apertado.
Mas lá em cima,
onde o infinito se desenha com pontos de luz antigos,
algo mudou.
Os astros,
aqueles viajantes eternos,
que nunca param seu curso,
sentiram a vibração.
A Ursa Maior, talvez,
hesitou no giro lento.
Orion, o caçador das constelações,
pousou seu feixe de estrelas por um instante.
As Plêiades, joias suspensas,
pareceram piscar mais devagar,
como se estivessem olhando para baixo,
para o ponto minúsculo de dor.
O silêncio da noite,
que antes era apenas ausência de ruído,
tornou-se um vácuo pesado,
uma escuta cósmica.
Os céus pararam,
não com um estrondo,
mas com uma pausa suspensa,
um reconhecimento mudo.
Cada estrela fixa,
cada nebulosa distante,
congelou sua dança milenar
para testemunhar a queda singular
daquela lágrima minha.
Era a dor humana,
tão breve, tão ínfima,
mas tão real
que dobrou o tempo e o espaço.
E quando a última gota secou,
e o suspiro se acalmou,
lentamente,
com uma dignidade infinita,
os corpos celestes retomaram sua marcha.
O universo respirou fundo,
e seguiu contando seus eons,
mas por um breve momento,
o choro solitário
fez o firmamento inteiro
esperar.