sombra e luz na vastidão do mundo

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 01 de Maio de 2026 ás 16h 59min

Sombra e luz na vastidão do mundo

 

Uma dança antiga

sussurra no vento,

entre as folhas que caem

e as flores que desabrocham.

 

A sombra, um manto de mistério,

abraça vales profundos,

esconde segredos ancestrais

em cavernas esquecidas.

É o silêncio que precede a aurora,

o descanso do sol ofegante,

a quietude da noite estrelada.

Um refúgio para a alma cansada,

onde pensamentos se aninham

e sonhos ganham asas.

 

E a luz, oh, a luz!

Um beijo dourado no horizonte,

despertando a terra com cores vibrantes.

É o brilho nos olhos de uma criança,

a promessa de um novo dia,

o calor que aquece o coração.

Um farol na escuridão,

guiando caminhos incertos,

revelando a beleza escondida.

A força que impulsiona o crescimento,

o sorriso que ilumina um rosto,

a esperança que renasce.

 

Vão juntas, inseparáveis.

A sombra não anula a luz,

apenas realça seu esplendor.

A luz não apaga a sombra,

apenas a transforma em contorno.

 

No deserto vasto,

a sombra da duna

oferece alívio momentâneo,

enquanto a luz do sol

desenha padrões efêmeros.

 

Na floresta densa,

a sombra das árvores altas

cria um santuário fresco,

e os raios de sol que filtram

pintam o chão com manchas douradas.

 

Na cidade agitada,

a sombra dos prédios

corre pelas ruas,

e a luz dos letreiros

cria um caleidoscópio noturno.

 

No mar profundo,

a sombra abissal

guarda criaturas fantásticas,

e a luz que penetra

revela cardumes cintilantes.

 

Em nós, dentro de nós,

há sempre essa dualidade.

Momentos de dúvida, de tristeza,

são nossas sombras,

e a resiliência, a alegria,

são nossas luzes.

 

A vida é essa tecelagem contínua,

de escuro e claro,

de pausa e movimento,

de pergunta e resposta.

Uma tapeçaria complexa,

onde cada fio de sombra

enriquece o brilho da luz,

e cada raio de luz

dá profundidade à sombra.

 

Na vastidão do mundo,

onde o céu encontra a terra,

onde o tempo se desdobra,

a sombra e a luz

continuam sua eterna jornada.

Um espetáculo sem fim,

que nos convida a contemplar,

a sentir,

a viver em toda a sua gloriosa imperfeição.

 

E em cada amanhecer, em cada crepúsculo,

redescobrimos a magia

dessa dança ancestral.

Comentários

Começou o mês poetizando divinamente

ADAILTON LIMA | 01/05/2026 ás 18:40
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