SOPA DE LETRINHAS
Poesia Regional | Celso CustódioPublicado em 11 de Fevereiro de 2026 ás 09h 00min
Lancei ao chão todas as horas
Passadas,
Os anos que as vidas deixaram
E foram embora,
A dor no peito, as emboladas
E cantorias,
Na beira da estrada a criança
Ainda ria!
Com os pés descalços
Banhava-se no riacho,
Á noite contava-se as estrrelas
Os vagalumes nos pastos,
O casebre de barro coberto
De inocência e alegria,
Sobrava tempo e sorriso
No outro dia!
Levantar com o cheiro forte
De café levado á cama,
Vestido de pijama, brincar
Com os animais,
Aconchegar ao colo da mãe
Fingir que ainda mama,
Ter a benção do pai mesmo
Ainda sujo de lama!
Caçar as borboletas
No acampado,
Ouvir o mugido do gado
Por detrás da porteira,
Ir a escola levando a merendeira,
Aprender o ABC como sopa de letrinhas,
A memória nunca apaga o que nós
Esquecemos a vida inteira!
Livro: Mar de Poesias