Suplica há Miguel São arcanjo
Poemas | Poesia Amorosa | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 08 de Junho de 2026 ás 11h 21min
Ó Miguel, São Arcanjo
De Rosy Neves

Ó Miguel, São Arcanjo,
livra-me dos olhos do Rei!
O amor que habita neles
não é feito de água nem de terra,
mas de duas fênix eternas,
duas chamas acesas
ardendo sobre os telhados da noite.
Quando ele me olha,
os jardins do mundo se calam,
e até o antigo Bósforo
esquece por um instante
o caminho entre os continentes.
Ó Miguel, protege-me!
Quero me abrigar
no silêncio mudo da tua respiração,
como uma folha escondida
sob as asas da madrugada.
Livra-me dos olhos famintos do Rei,
dos olhos que me procuram
entre as estrelas dispersas,
entre os sonhos que adormecem
nas areias celestes do tempo.
Pois ele quer me amar com fúria,
como o vento ama o mar revolto,
como a tempestade abraça os ciprestes,
como o fogo abraça a lenha
sem pedir permissão ao destino.
E eu tremo.
Tremo como uma lanterna distante
nas muralhas de uma cidade antiga,
enquanto a lua derrama prata
sobre as cúpulas silenciosas da Turquia.
Ó Miguel, São Arcanjo,
guarda meu coração errante.
Que eu atravesse esta noite
sem me perder nas chamas do Rei.
Que eu permaneça inteiro
como um lírio branco à beira do rio,
escutando apenas o sussurro do céu,
enquanto as duas fênix dos seus olhos
continuam queimando,
queimando em silêncio,
do outro lado dos sonhos.