Suplicas aos céus
Pensamentos | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 09 de Março de 2026 ás 20h 47min
Até quando, ó Eleito,
meus olhos se prenderão
a essa ausência visível?
A escadaria cósmica
que te levou para longe,
onde o silêncio se torna
o eco mais alto.
Subo degraus de névoa,
tentando alcançar o brilho
que prometeste à minha alma,
mas a subida é só minha,
e a escada, invisível,
desfaz-se sob meus pés.
Por quanto tempo ainda
a lágrima será minha única companhia
neste observatório terrestre?
Olho para o céu vasto,
cheio de estrelas indiferentes,
e pergunto ao vazio
se é justo, Senhor,
deixar-me aqui, no chão frio,
vestido apenas com a saudade.
Meus olhos te seguram, sim,
com a força de quem se recusa a esquecer
a luz que um dia prometeu
romper toda a escuridão.
Eles são âncoras lançadas
no espaço onde imagino tua presença.
Até quando essa espera
moldará meu rosto em súplica?
Até quando o meu peito
será um tambor batendo
o ritmo lento da tua demora?
Cada dia que amanhece
sem o teu toque, sem tua voz clara,
é um pedaço de mim
que se torna pó cósmico
lançado ao vento.
Ó meu Deus, que me escutas
na quietude das madrugadas,
por que essa corda esticada
entre o meu querer e o teu chegar?
Eu te busco no tremor da folha,
na promessa da chuva que virá,
em cada rosto que passa
e não é o teu,
mas que carrega um fragmento
da beleza que em ti encontrei.
Até quando, Eleito,
essa invisível escadaria
será o único caminho
entre nós?
Deixa que eu saiba
se o esforço vale a pena,
se a perseverança
ainda mora no teu plano.
Liberta-me dessa ânsia,
ou apressa o teu retorno.
Pois meus olhos estão cansados
de segurar o nada,
e meu coração,
este frágil vaso de barro,
teme que a última gota de esperança
seque antes do teu regresso final.
Até quando, meu Deus,
me deixas chorando
sob o peso leve e eterno
do amor que não se realiza
neste agora?