Tempestade interior
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 16 de Maio de 2026 ás 14h 59min
Tempestade Interior
de Rosy Neves
Deixaram-me só
chorando na grande chuva.
A noite vestia mantos de relâmpagos
e o céu parecia um coração partido
desabando sobre o mundo.
As gotas caíam lentas
sobre meus cabelos cansados,
escorriam pela minha pele
como rios sem margem,
como despedidas que não encontram porto.
E minhas lágrimas
eram tempestade dentro de mim.
Molhava meu corpo do lado de fora,
molhava meu corpo do lado de dentro.
Havia um mar transbordando em meus olhos,
um oceano de silêncios afogados
entre as costelas da alma.
Eu caminhava perdida
entre ventos escuros e ruas vazias,
carregando no peito
um céu inteiro quebrado de saudades.
Até que percebi:
a chuva não caía apenas do infinito.
Ela nascia também em mim,
nas profundezas invisíveis
onde moram as dores que ninguém vê.
E enquanto o mundo dormia,
eu permanecia ali,
feito árvore ferida pelo inverno,
feito barco sem farol,
feito estrela esquecida atrás das nuvens.
Mas ainda assim,
no meio daquela tormenta,
uma pequena centelha resistia.
Porque até as tempestades
cansam de destruir.
E talvez, depois de tanta chuva,
meu coração aprenda novamente
a florescer.