Tempo de melancolia

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 06 de Março de 2026 ás 10h 07min

A Sombra Cai Sobre a Terra Fria 

 Na terra onde o orvalho cai mais denso, 

E o sol da manhã mal se atreve a beijar, 

Repousa um silêncio, profundo e imenso, 

Um tempo de mágoa que faz suspirar. 

 

O vento que sopra, um lamento tece, 

Entre as cruzes baixas, de pedra singela, 

Onde a vida findou antes de florescer, 

E a dor da ausência se faz mais sentinela. 

 

Aqui jazem sonhos que não puderam voar, 

Pequenos botões que a geada colheu, 

Almas que mal souberam o mundo tocar, 

E o fio da sorte de cedo se perdeu. 

 

Não houve promessas de um futuro a nascer, 

Nem risos longos na luz da varanda, 

Apenas o vazio que insiste em doer, 

Na memória breve de quem mais se amanda. 

 

Oh, túmulo pequeno, de terra molhada, 

Guarda segredos que o tempo não conta, 

De mãos delicadas, jamais embaladas, 

E de estrelas que o céu não aponta. 

 

Havia um lugar no abraço da mãe, 

Um nome bordado em linho tão puro, 

Mas a partida chegou, sem que ninguém 

Pudesse entender o seu véu escuro. 

 

Onde estão os passos que iriam correr? 

As vozes fininhas a chamar por afago? 

Apenas o eco que insiste em doer, 

Neste campo santo, tão triste e vago. 

 

A melancolia veste o lugar, 

Com mantos cinzentos de névoa e pesar, 

É a dor de quem viu o seu bem se findar, 

Sem sequer o tempo de amar e sonhar. 

 

Os anjos, dizem, levam estas luzinhas, 

Para um jardim onde a dor não tem lei, 

Mas a saudade aperta, de mil espinhos, 

Pois a infância partiu sem dizer "olá" ou "adeus". 

 

Que a terra lhes seja leve e macia, 

Pois breve foi a passagem por cá, 

E que a luz da estrela que nunca se via, 

Possa agora, em paz, para sempre brilhar. 

 

E nós que ficamos, sob o céu aberto, 

Guardamos a prece, sincera e sentida, 

Por estes amores que foram tão perto, 

Mas que a vida negou a jornada florida. 

 

Assim é o luto, profundo e silente, 

Sobre o jazigo onde a esperança dormiu, 

Um tempo de mágoa, eternamente presente, 

Pela flor que a brisa levou para o azul.

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