Fatos da fumaça.
Naquele sopro.
Naquele desconhecido.
Trago do cigarro,
trago sagrado.
Trago o sagrado, na fumaça que sobe,
levando quem sabe um alívio,
ou uma oração sem destinatário.
Sobe.
Se sabe?
Ela sobe.
E, hoje, em mim, o reflexo dessa fumaça,
trouxe-me a sensação estranha
de um dia, de fato, tê-lo visto.
A cada trago sagrado,
o agrado de um ou dois cigarros,
como quem negocia com o tempo
uma pausa.
Parado, fato do trago,
o que ele traz?
Memória?
Esquecimento?
Um ou outro trago, apenas.
No lastro de mais um cigarro,
resta as cinzas do silêncio,
cinza lenta, lento,
esperando o próximo trago.
Comentários
Trago não é nada sagrado, ele é entorpecente, nostálgico, mas com o passar do tempo ele se torna amargo, viciante e "às vezes", mortal!
O comentário da Raquel me remete a Augusto dos Anjos. Mas sintetizou bem o pensamento do autor