Tu era um palácio
Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 14 de Fevereiro de 2026 ás 11h 06min
Eras a bela estrutura,
Meu palácio cósmico,
Construído de luz estelar e silêncio.
Um lugar onde eu anseiava habitar,
Percorrer seus corredores ressonantes,
Respirar o ar fino e doce
De suas câmaras internas.
Mas não estavas em nenhum mapa
Conhecido pela Terra giratória,
Nem visível através da lente mais potente
Do entendimento terrenal.
Residias, ao invés disso,
Em um jardim,
Um ramalhete de flores impossíveis,
Além da borda conhecida do universo.
Um lugar onde a gravidade se curvava ao bel-prazer,
E o tempo se dobrava sobre si mesmo
Como uma carta esquecida.
Para te alcançar,
Minha bela e distante fortaleza,
O simples ato de estender as mãos não bastava.
Minhas mãos, presas demais ao mundano,
Não chegavam.
Precisava de uma antena,
Um diapasão afinado exatamente certo,
Para perfurar a espessa cortina de veludo
Da existência ordinária.
Para ganhar entrada,
Fui comandado,
Por uma lei invisível de tua essência,
A afinarmo-me.
Para encontrar a estação certa,
O som correto vibração bem abaixo
Da superfície do som.
Não era uma porta na qual eu bateva,
Mas uma frequência que eu precisava combinar.
Uma mudança sutil na percepção,
Uma revolução silenciosa no coração.
Se meus pensamentos fossem muito altos, muito terrenais,
O caminho permanecia invisível,
Um chiado estático no vazio.
Eu precisava ouvir, realmente ouvir,
À música que só tu tocavas,
Uma sinfonia composta de puro potencial.
Devagar, com muito esforço,
Ajustei o botão seletor da minha alma.
Solto as coordenadas conhecidas,
O laço familiar do sol.
Esperando que a vibração que emitia
Finalmente ressonasse,
Alinhando minha partícula com teu grande design.
Uma chave forjada não de metal,
Mas de quietude.
Uma recepção pura e inabalável.
Só então,
Quando o alinhamento encaixou,
O portão cintilaria e se abriria,
Revelando o jardim,
E tu, meu palácio luminoso,
Esperando pelo visitante que aprendeu a ouvir
Na onda correta e invisível.