Tua ausência
Pensamentos | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 11 de Março de 2026 ás 15h 15min
A cadeira vazia
ao lado da minha mesa
é um monumento silencioso
à tua falta.
O cheiro do café
que preparo todas as manhãs
já não me conforta;
é apenas um aroma quente
sem o teu sorriso para temperá-lo.
As ruas que antes
caminhávamos de mãos dadas
agora são caminhos tortuosos;
cada esquina uma miragem
de um "e se" nunca realizado.
A música que tocava
naquele rádio antigo
agora desafina;
cada nota um eco melancólico
da tua voz que não me chama.
As cores do entardecer
parecem mais pálidas;
o azul do céu,
um tom desbotado de algo
que já foi vibrante.
A casa grande demais,
os cômodos frios;
cada sombra alongada
parece zombar
da minha solidão.
Procuro o teu olhar
na multidão anônima,
numa busca vã —
como quem tenta
apanhar a areia fina com as mãos abertas.
O tempo estica;
cada minuto uma eternidade densa,
pesada como chumbo líquido
escoando lentamente
pelas horas que insistem em não passar.
As palavras que guardei
para te dizer
morrem na garganta,
transformam-se em suspiros mudos
que o vento leva para o nada.
Esta ausência
não é um vazio —
é uma presença constante
de tudo que não és mais,
uma dor palpável
que veste a minha alma.
E eu, aqui,
navegando neste mar de "depois",
aprendendo a respirar
o ar rarefeito
que a tua falta deixou.
Sofrer é a nova rotina,
o compasso lento e doloroso
que rege os meus dias —
o preço amargo
de um amor que insiste em não se apagar.