Um retrato na parede da memória
Poemas | 2026/1 Antologia Quando a palavra sente | Gilmair Ribeiro da SilvaPublicado em 03 de Janeiro de 2026 ás 15h 41min
Em breve não estarei mais aqui...
E como a vida é efêmera,
e os instantes irrepetíveis,
minha sombra não atravessará a rua ensolarada,
rumo à calçada
onde o imaginário registrará as marcas dos pés.
Ansiosas, almas sombrias ocuparão
novos espaços,
estabelecidos por uma atmosfera
que evoca na memória afetiva
histórias de encontros,
desencontros
e solidão...
Restará ao final da caminhada um retrato sombrio
na parede da memória,
ladeado por quadros de arte inexpressiva,
onde habita, com delicada presença, um espírito sensível...
Transfiguram-se, nos olhos esverdeados e solitários,
os defeitos mais viscerais em virtudes.
Nas falas cotidianas os opressores
despirão o personagem kafkiano que inventaram:
- Um fardo, um estorvo...
para pronunciar meu nome com sonoridade,
e lágrimas nos olhos;
de remorso, ou talvez de contentamento.
Mas será no brilho ingênuo e espontâneo
dos olhos de um casal de namorados
que a minha prosa se reinventará,
E a minha poesia resistirá,
como um vestígio de verdade
que não se dobram ao esquecimento.