Uma doce aflição

Poemas | Poesia Amorosa | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 24 de Agosto de 2026 ás 12h 12min

Uma Doce Aflição

Rosy Neves

 

Uma doce aflição

se derrama sobre mim

como chuva antiga

nas janelas do infinito.

 

Estou presa nos laços do Rei,

em fios que ninguém vê,

mas que apertam devagar

as margens da minha alma.

 

Os braços dele me envolvem —

não sei se são abrigo

ou uma prisão feita de amor.

Tão fortes…

tão ternos…

tão impossíveis de escapar.

 

Quero fugir.

 

Mas para onde?

 

Seus olhos atravessam

as florestas da noite,

alcançam os mares,

as cidades adormecidas,

as estrelas escondidas

nas dobras do Cosmo.

 

Não há lugar neste mundo

onde o olhar do Rei

não consiga me encontrar.

 

E eu corro…

 

Corro para dentro da neblina,

atravesso rios de estrelas,

escondo meu nome

entre constelações esquecidas.

 

Mas ele sempre está lá.

 

Silencioso.

 

Com os olhos cheios

de eternidades.

 

— Socorro… — sussurra minha alma.

 

E o próprio céu se cala.

 

Porque o Rei não é deste mundo.

 

Talvez venha de uma galáxia

onde o amor não conhece limites,

onde os abraços são eternos

e a saudade tem asas.

 

E eu, pobre viajante,

presa entre o medo e o desejo,

não sei mais se quero fugir…

 

Ou simplesmente

me perder para sempre

nos braços dele.

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