Uma promessa de retorno

Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 13 de Fevereiro de 2026 ás 20h 44min

Ainda sinto 

o silêncio absurdo 

das estrelas 

quando a noite veste 

seu manto mais profundo. 

 

Um vácuo vasto 

onde o som não viaja 

mas a luz se derrama 

em riachos frios 

de eras passadas. 

 

E nesse vazio 

que deveria ser mudo 

surge uma melodia 

impossível, etérea. 

 

A música tecida 

na arpa da constelação 

cordas feitas de poeira cósmica 

dedos invisíveis 

tocando a eternidade. 

 

Cada nota um pulsar 

de um sol distante 

cada pausa 

um suspiro da galáxia. 

 

Fecho os olhos 

e o mundo conhecido 

desaparece 

substituído pela tela interna. 

 

Vejo então 

em sonhos proféticos 

mapas celestes 

desenhados na retina escura. 

 

Rios de fogo estelar 

cruza o firmamento onírico 

figuras antigas 

gravadas no éter. 

 

O Touro mugindo em fogo azul 

Orion a caçar com lança de diamante 

e a Ursa Maior 

girando lenta 

guiando os perdidos 

que ainda não sabem que estão perdidos. 

 

São visões 

que não se contam 

apenas se sentem 

como o peso da gravidade 

que me prende à terra 

enquanto a alma flutua 

entre nebulosas rosadas. 

 

Entendo sem palavras 

a dança cósmica 

o nascimento e a morte 

em câmera lenta sideral. 

 

O silêncio 

não é ausência 

é a escuta atenta 

para a sinfonia que nunca cessa 

mesmo que meus ouvidos humanos 

sejam pequenos demais 

para captar toda a orquestra. 

 

A música é a prova 

de que o vazio 

está repleto de propósito 

e que cada ponto de luz 

é uma memória 

que ainda ressoa 

em mim 

aqui embaixo 

sob o céu que promete 

retorno.

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